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domingo, julho 26, 2015

Popularidade do Vinho Verde ultrapassa oferta

Todos os anos, assim que o emigrante do Alto Minho regressa ao país para passar as férias do verão, uma das primeiras preocupações a ter em conta prende-se com a compra de vinho verde, uma companhia tão desejada para as refeições da época estival. Começou por ser um símbolo distintivo da região, mas atualmente já é visto como um dos produtos mais emblemáticos da gastronomia portuguesa, um embaixador fora de portas. Não é para menos.

As exportações de vinho verde têm crescido nos últimos anos e a tendência é para aumentar. Tanto o é que os produtores começam a notar problemas de stock, apesar dos cerca de 22 000 viticultores e 600 engarrafadores que produzem aproximadamente 75 milhões de litros de vinho verde por ano. Destes, perto de 3/4 são vinho branco, com as produções de vinho rosé, espumante e aguardente a terem menor expressão.

A provar a escassez para tanta procura estão declarações recentes do presidente da CVRVV (Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes), Manuel Pinheiro, ao Diário Económico: “A região precisa de incentivar o plantio de mais vinha, pois a parte comercial avançou mais depressa que a produção. Não temos vinho suficiente em reserva para as encomendas que precisamos”, revelou.

Mas afinal o que o torna cada vez mais procurado pelos consumidores? Em primeiro lugar é um vinho fácil de beber e extremamente fresco, a escolha perfeita para refeições informais, leves, saudáveis e pouco calóricas, como o verão sugere. Intensamente frutado, com baixo teor alcoólico e com uma acidez equilibrada, também é particularmente popular como aperitivo.

Estas características tornam-no numa bebida que combina muito bem com peixes, mariscos, carnes brancas, pratos vegetarianos, saladas, queijos, tapas, paellas, sushi, sashimi e outros pratos internacionais. Resumidamente, assentam que nem uma luva a qualquer ementa de verão.

Em segundo lugar, e não menos importante, é vendido a preços bastante apelativos para o consumidor final, principalmente para aqueles que o adquirem em solo nacional. Tanto o é que há responsáveis que falam na necessidade de se aumentar o valor das vendas, mais do que aumentar a quantidade das mesmas. Para que tal aconteça, a solução pode passar por uma maior aposta na plantação de castas alvarinho e loureiro, as que são mais valorizadas pelos apreciadores de vinho verde.

Em terceiro lugar, com bem menos importância do que os anteriores pontos, também se pode falar na curiosidade que a própria denominação desperta junto dos consumidores. Ao contrário do que os menos conhecedores possam pensar, o vinho verde não tem cor verde nem é produzido com uvas verdes.

A origem do batismo está relacionada com as características da região de produção, que se estende por todo o noroeste do país (na zona tradicionalmente conhecida como Entre-Douro–e-Minho) e está predominantemente coberta de vegetação. Remete ainda para o próprio perfil do vinho, que pela sua frescura e leveza se diz verde, em alusão à sua juventude, e por oposição a outros vinhos mais complexos e pesados.

Mais força para o famoso Alvarinho

Diferentes solos, climas e modos de cultura produzem vinhos distintos entre si, que levaram à divisão da Região dos Vinhos Verdes em nove sub-regiões: Amarante, Ave, Baião, Basto, Cávado, Lima, Monção e Melgaço, Paiva e Sousa. Para cada uma destas sub-regiões existem castas recomendadas à produção de vinhos, espumantes e aguardentes.

A tão apreciada casta alvarinho é cultivada particularmente na sub-região de Monção e Melgaço. Apesar de produzir mostos muito ricos em açúcares, apresenta um razoável teor em ácidos orgânicos. A fama é tanta, que a utilização do nome alvarinho na rotulagem dos vinhos gerou durante anos uma controvérsia que só recentemente foi resolvida.

O acordo pôs fim a um diferendo entre os produtores da sub-região de Monção e Melgaço, que detinham o exclusivo da rotulagem DOC Alvarinho, e os da restante região, que reclamaram o fim desse uso exclusivo. A partir do início do próximo mês, um lote terá que ter pelo menos 30% de alvarinho para que esta casta possa ser mencionada no rótulo.

As novas determinações preveem ainda que dentro de seis anos passe a ser possível produzir fora de Monção e Melgaço, o que poderá dar músculo comercial ao alvarinho português, que em termos de presença nos mercados internacionais vive na sombra do congénere galego.

Leia a notícia completa na edição de julho da Revista PORT.COM.

quinta-feira, julho 23, 2015

Espanhol Pablo Paredes é o o novo embaixador dos vinhos brasileiros nos Estados Unidos

Bento Gonçalves – Os vinhos e espumantes brasileiros têm um novo embaixador nos Estados Unidos desde o início de julho. A tarefa é do espanhol Pablo Paredes (foto), cuja missão é promover a imagem da bebida nacional no mercado norte-americano, um dos cinco prioritários do projeto Wines of Brasil, desenvolvido em parceria entre o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Na última semana, Paredes esteve no Brasil, onde foi apresentado à equipe do instituto, em Bento Gonçalves (RS), e visitou vinícolas na Serra Gaúcha e em Santa Catarina.“A impressão foi muito positiva, melhor do que eu esperava. A Serra Gaúcha tem uma geografia perfeita para o cultivo de vinhedos. As vinícolas estão muito qualificadas, com tecnologia igual a de outras regiões produtoras do mundo e muito preparadas para o mercado dos Estados Unidos”, avaliou Paredes, antes de partir para conhecer as empresas catarinenses.

Graduado em Administração de Empresas e em Engenharia Técnica e mestre em Comércio Internacional, o novo brand ambassador tem desde pequeno uma relação com o mundo do vinho. A família dele possui pequenos vinhedos e elabora vinhos na província de Valladolid, no norte da Espanha, na região de Ribera del Duero. Em Miami desde 2012, já trabalhou nos Estados Unidos para vinícolas espanholas de Ribera e de Rioja.

“O consumidor americano tem um nível de educação alto, poder aquisitivo de médio a alto e é interessado em conhecer e aprender sobre novos produtos. Por isso é muito comum o consumo de vinhos by the glass (em taça). Isso é uma ótima oportunidade para os vinhos brasileiros. A cultura do vinho é crescente e o consumo médio per capita é de aproximadamente 15 litros por ano”, explica, acrescentando que as variedades tintas Merlot e Cabernet Sauvignon e a branca Chardonnay são as mais apreciadas.

Os Estados Unidos são o único país entre os cinco prioritários do Wines of Brasil que conta com um profissional dedicado a trabalhar na promoção dos vinhos e espumantes brasileiros. Os outros mercados alvo são Alemanha, Países Baixos (Holanda), China e Reino Unido. A função foi criada em 2013.

Sobre o Wines of Brasil

O Wines of Brasil é desenvolvido desde 2004 pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Atualmente, 30 vinícolas participam do projeto, cujo objetivo é promover a imagem dos vinhos do Brasil no mercado externo. Mais informações podem ser obtidas nos sites www.winesofbrasil.com e www.ibravin.org.br.

Fonte: Apex-Brasil

terça-feira, julho 21, 2015

Vinhos finos da região de Farroupilha agora tem Indicação Geográfica

Registro foi concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial

Os vinhos finos moscatéis produzidos no município de Farroupilha (RS) receberam esta semana a concessão do registro de Indicação Geográfica (IG), publicado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). O pedido de reconhecimento do vinho produzido na região da Serra Gaúcha foi protocolado há cerca de um ano pela Associação Farroupilhense de Produtores de Vinhos, Espumantes, Sucos e Derivados (Afavin). O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio da Embrapa Uva e Vinho, coordenou o projeto que resultou na obtenção de Indicação Geográfica.

A solicitação formal do reconhecimento exigiu um detalhado dossiê com a delimitação geográfica, a caracterização da vitivinicultura (vinhedos e vinícolas), os processos de produção e as características de qualidade química e sensorial dos vinhos, incluindo a comprovação do renome da região como produtora de vinhos moscatéis finos.

Para poder colocar no mercado vinhos com a IG Farroupilha, além de estar na área delimitada, os produtores deverão atender aos criteriosos processos de produção e de elaboração dos vinhos, segundo o estabelecido no Regulamento de Uso desenvolvido especialmente para os vinhos da IG Farroupilha.

O registro de Indicação Geográfica é atribuído a produtos ou serviços que são característicos de um determinado local de origem. São produtos que apresentam uma qualidade única devido a recursos naturais como solo, vegetação, clima e recursos humanos, como o conhecimento para produzi-lo (saber fazer ou know-how).

Afavin

As atividades para busca da indicação geográfica começaram em 2005, com a criação da Afavin. Na sequência, diversas ações foram desenvolvidas, mas a iniciativa ganhou força em 2009, com a aprovação de projeto de Desenvolvimento e Estruturação da Indicação Geográfica, sob a coordenação da Embrapa Uva e Vinho, tendo como instituições parceiras a Embrapa Clima Temperado, a Universidade de Caxias do Sul e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em trabalho conjunto com os produtores associados da Afavin.

O projeto também conta com o apoio do Mapa e da Prefeitura Municipal de Farroupilha. O Ministério da Agricultura é uma das instituições de fomento das atividades e ações para Indicação Geográfica de produtos agropecuários.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Mapa, Caio Rocha, a concessão de indicação geográfica traz inúmeros benefícios aos produtores e consumidores: “Por meio da IG, teremos no mercado vinhos moscatéis espumantes e frisantes que expressam a originalidade da produção da região, proporcionando ao consumidor um produto diferenciado.”

Com a IP Farroupilha, o Brasil passa a ter cinco Indicações Geográficas de Vinhos Finos: IP Vale dos Vinhedos (2002) – DO em 2012, IP Pinto Bandeira (2010), IP Altos Montes (2012), IP Monte Belo (2013) e IP Farroupilha (2015). Todas receberam apoio técnico-científico da Embrapa Uva e Vinho para a sua estruturação.

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)