Segunda-feira, Junho 29, 2009

Nova Zelândia - 3 vinhos da Importadora Premium recomendados entre os Top Ten da revista Decanter

A conceituada revista inglesa Decanter, uma das mais importantes formadoras de opinião do mundo, incluiu em suas recomendações um painel de 10 vinhos da Nova Zelândia, 3 deles distribuídos pela Premium Wines no Brasil.
Os produtores selecionados são destaques premiados entre as vinícolas neo-zelandezas por sua qualidade.
Os vinhos recomendados foram selecionados pelo degustador Mark O`Halleron:

Ata Rangi, Celebre, Martinborough 2007
“Produzido por um dos melhores produtores do país, este corte de Cabernet, Merlot e Syrah é fluido e texturado. Ainda é jovem, mas se mostra muito bem com um núcleo intenso de passas, moldura herbácea e taninos macios. Aveludado, sedoso e muito, muito sedutor.”

Pegasus Bay Pinot Noir, Waipara 2007
“Exótico e muito macio, com nítidas frutas vermelhas redondas e especiadas do princípio ao fim. Um conjunto rico e profundo que marcará muitos apreciadores com seus encorpados e suculentos sabores.”

Neudorf, Tom`s Block, Pinot Noir, Nelson 2007
“Puro e vívido, com cerejas crocantes, em níveis quase penetrantes, no sedoso palato. Aumentam o interesse os traços picantes que atravessam o palato médio, e esse Pinot, apesar de jovem, se mostra muito bom. ”

Mais informações no site da Premium Wines

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Quem não bebe não treme

Publicado por Mauricio Tagliari no blog www.maisumgole.worldpress.com

Há um tipo de leitor que não espero por aqui: o abstêmio. Falar de bebida para um abstêmio é como pregar para um ateu. Perda de tempo para quem escreve e para quem lê. Abstêmios e ateus são inconversíveis. Falo pois sei. Sou ateu. Mas, graças a deus, os abstêmios são minoria.

A bebida alcoólica existe desde que o homem teve competência para produzi-la. É parte da cultura da grande maioria dos povos. E assim como as pessoas que bebem se dividem em uma gama de moderados a exagerados, culturalmente os povos parece também se dividirem de maneira parecida. Povos beberrões, como russos e escoceses, e povos mais moderados, como franceses e italianos, são estereótipos bem conhecidos. Assim como também há bebedores de destilados e de fermentados. E todas as subdivisões possíveis. Bebedores de cerveja ou de vinho. De cachaça ou de vodca, etc.

Lendo jornal esta semana pensei o quanto a maneira como uma pessoa bebe influi em sua vida. Não falo das ressacas e faltas ao trabalho ou da lei seca que parece ter sido meio esquecida por motoristas, bares e autoridades. Falo de uma declaração de Caetano Veloso em entrevista sobre o lançamento de seu mais recente CD, zii e zie.

Eu sei, coisas de velho: jornal e CD. Mas prossigamos. Instado a falar sobre drogas, Caetano disse: "Sempre odiei a cocaína. E apenas tolerei o uso de drogas por outras pessoas, mesmo o álcool. Por mim mesmo, só o álcool. Mas nunca me habituei a beber todos os dias. Vinho me faz mal já na primeira taça. E odeio champanhe. Já gostei de vodca e de saquê. Gosto de cerveja, mas só bebo na terça-feira de carnaval".

Tiro daí dois pensamentos.

O primeiro é que, dado o depoimento, podemos concluir que Caetano é um bebedor moderabilíssimo. Diferente de seu colega, Chico Buarque, citado por ele na mesma entrevista. Este passou os melhores anos de sua carreira pública de cantor e compositor em meio a muita bebida. Na melhor escola Vinicius de Moraes.

E como isso teria afetado a obra dos dois insignes músicos? De minha parte gosto dos dois. Já ouvi, toquei e cantei muito de ambos.

Empiricamente, tenho pra mim que a obra de Caetano é mais apolínea e a de Chico Buarque, mais dionisíaca. Caetano se diverte com as palavras num jogo de relações mais racionais. Típica de alguém sóbrio. Mesmo quando parece discursar automaticamente atrás do som puro (panaméricas de áfricas utópicas...), está sempre em busca de um sentido lógico (...túmulo do samba mas possível novo quilombo de zumbi).

Já Chico, nos seus melhores momentos, sinaliza para uma busca menos experimental, porém mais comprometida apenas com a emoção de seus personagens, sejam eles prostitutas, malandros ou a mãe do pivete morto.

Mesmo como observador mais ou menos isento, ele descreve a partir de algo da empatia de quem, seguindo o conselho de Humphrey Bogart, já tomou a terceira dose para suportar o mundo. Quando cantarolo algo do Caetano me sinto inteligente. Quando canto algo do Chico me sinto mais com os pés no chão. Claro que falo em linhas gerais. Há exceções para os dois lados.

Mas e o segundo pensamento? Bem, que vinho seria esse que faz mal já na primeira taça ao poeta baiano? Que champanhes teria ele tomado para odiar a bebida tanto assim? E em quais situações teria ele apreciado vodca e saquê? Para ajudá-lo, tenho a dizer que, se o efeito do vinho for dor de cabeça, a solução é fugir dos vinhos que alertam para o fato de conter anidrido sulfuroso.
Há provas de que algumas pessoas alérgicas podem ter este sintoma ao ingerir vinhos que usem este conservante. Mas hoje, com a onda de vinhos de cultivo biodinâmico, ele poderia degustar mais de uma taça de tintos e brancos deliciosos. Como o branco alsaciano Deiss Alsace 2006 (Domaine Marcel Deiss).

Um vinho cultivado sem intervenções químicas e que representa muito bem o terroir de onde vem, por módicos R$69,64 (www.mistral.com.br), por exemplo. Ou então o tinto Château Le Puy 2001 (www.worldwine.com.br), um corte de Merlot 85%, cabernet sauvignon 14% e carmenére 1%, que é verdadeiro ícone dos vinhos orgânicos em Bordeaux, pelo valor um pouco mais salgado de R$ 179.

Tenho certeza de que, bebendo com moderação, nenhum dos dois deixará ninguém com dor de cabeça.

E agora me pergunto. Teria Caetano se contido menos? Teria sido menos épico e mais lírico? Teria ele cantado "eu bebo, sim", como Elizeth Cardoso, se tivesse conhecido vinhos como esses antes?

Por sorte, Caetano, ainda há tempo de descobrir.

Mauricio Tagliari é compositor e produtor musical. Sócio da ybmusic, escreve sobre música e bebidas no blog www.maisumgole.wordpress.com e sobre música no http://ybmusica.blogspot.com. É co-autor do Dicionário do Vinho Tagliari e Campos.

José Maria da Fonseca lança vinho sem álcool

Inovação no mercado português

A José Maria da Fonseca (JMF) lança amanhã o Lancers Rose Free, o primeiro vinho sem álcool a ser comercializado em Portugal, segundo a companhia vinícola que tem sede em Azeitão.

O produto que agora chega ao mercado nacional já foi testado noutros países, especialmente os nórdicos, e a escolha do Lancers, um dos produtos de "combate" da JMF, foi decidida porque é um vinho que, "pelas suas características, mais facilmente se adapta à tecnologia de desalcoolização, enquadra-se num público-alvo diversificado, visando ao mesmo tempo conquistar consumidores que não são apreciadores de bebidas alcoólicas", justifica a companhia.

O Lancers Rose Free, sustenta a José Maria da Fonseca, é um vinho que "pode beber-se à vontade, sem receios secundários e com menos calorias."

Apesar de ter instalações industriais e extensas vinhas na península de Setúbal, a JMF foi fundada, há 175 anos, por um empreendedor da região do Dão: José Maria da Fonseca. É a mais antiga produtora de vinhos de mesa e Moscatel de Setúbal, mantendo-se até hoje na posse dos seus descendentes.
Por José Manuel Rocha

Quinta-feira, Junho 18, 2009

Amarone della Valpolicella – O grande vinho tinto do Veneto

Proveniente da região do Veneto, nordeste da Itália, tem como cidades de referência, Veneza (a leste), Verona (a oeste), Rovido (ao sul) e Belluno (ao norte). Começou a ganhar fama há menos de duas décadas. Praticamente não existia antes da 2a Grande Guerra.

Antigamente chamado de Reciotto della Valpolicella Amarone, hoje mais conhecido somente como Amarone, é um dos mais encorpados, alcoólicos e extraordinários vinhos da Itália. O Recioto della Valpolicella (sem o nome Amarone) ou, simplesmente, Recioto, é um vinho tinto doce com menor teor alcoólico (12 a 13%), feito do mesmo modo do Amarone, mas a fermentação não se completa, permanecendo açúcar residual (por volta de 30 g de açúcar por litro). Existe também uma versão espumante pouco conhecida, o Recioto della Valpolicella Spumante.

É produzido de forma muito peculiar. O nome recioto vem de recie que no dialeto da região significa orelha (orecchie) que é a parte de cima da uva, mais rica em açúcar. Amarone vem de amaro, amargo, e significa muito amargo ou amargo muito bom. O processo do incomum Amarone se inicia logo após a colheita nos vinhedos das colinas de Valpolicella , os melhores cachos são colhidos e as uvas são colocadas para secar em esteiras dentro de locais bem ventilados durante cerca de três meses. As uvas sofrem desidratação e concentram a glicose e algumas sofrem a ação do fungo Botrytis cinérea, como as uvas de Sauternes. A fermentação alcoólica dura cerca de quarenta dias e é seguida da fermentação secundária, a malolática, que "amacia" o vinho.

O Amarone possui grande estrutura e concentração de aromas, podendo atingir facilmente 15% de álcool. Em boas safras exibe uma variedade de sabores que lembram geléias, doce de ameixa, uva passa, pétalas de rosas e especiarias. Podem ser apreciados jovens ou depois de muitos anos. Além da força e vigor, oferecem também riqueza e sedosidade, sendo capaz de complementar uma variedade de pratos, principalmente caça, como também massas e a maioria dos queijos, especialmente Gorgonzola, Roquefort e Parmigiano-Regiano.

O Amarone também é único porque não existe nenhum igual no mundo. Suas uvas, Corvina, Rondiinella e Molinara são variedades nativas e nunca foram transplantadas para outros lugares, ao contrário das principais cepas francesas.
As palavras classico e superiore também podem ser encontradas nos rótulos de Amarone. Classico refere-se à zona original de produção para o Valpolicella, que é considerada a melhor área de vinhedos da região e Superiore é uma palavra que se aplica a vinhos com teor de álcool natural superior a 12%.

Hoje existem diferentes estilos de Amarone, refletindo técnicas mais modernas de alguns produtores versus métodos tradicionais de outros. De qualquer maneira, independente do estilo, o Amarone é certamente sem igual e exótico. Já ganhou seu merecido lugar entre os mais nobres vinhos tintos da Itália.


Disponíveis no mercado brasileiro, gosto muito dos seguintes: Amarone Clássico Acinatico 2004 – Stefano Accordini (Zahil Importadora), Costasera Amarone della Valpolicella Clássico 2003 – Masi - (Mistral Importadora); Amarone della Valpolicella Clássico 2004 – Allegrini e Amarone della Valpolicella Campo Dei Gigli 2003 – Tenuta Sant’Antonio - (Grand Cru Importadora); Amarone della Valpolicella Riserva Del Fondatore 2005 – Montresor (Expand Importadora); Amarone della Valpolicella Clássico I Castei 2003 – Michele Castellani (Decanter Importadora. Não disponíveis atualmente no mercado brasileiro, mas considerados por muitos os melhores amarones temos: Amarone della Valpolicella 1999 – Dal Forno Romano; Amarone della Valpolicella 1995 – Giuseppe Quintarelli e Amarone della Valpolicella Capitel Monti Olmi 1999 – Tedeschi.

Terça-feira, Junho 02, 2009

Consumo de vinho continua em queda na França

Os franceses estão consumindo menos vinho. Como se não bastasse isso, as exportações também estão diminuindo.

De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Agricultura da França, os adultos daquele país consumiram, em média, 43 litros de vinho em 2008, 4 a menos que em 2007. O consumo caiu em todos as camadas sociais, com mais ênfase na classe média.

Entre agosto e março, o declínio das exportações foi de 8,4% em volume e de 14,6 em valores, na comparação com os números do mesmo período um ano antes.

Fonte: Decanter - Postado por Guilherme Lopes Mair

Quinta-feira, Maio 07, 2009

Indústria corticeira: A "Nanocork" dá novo sabor ao vinho

Com o objectivo de melhorar o vinho e retardar o processo de evolução, foi criada uma nova rolha, a "Nanocork".

Abrandar o processo de evolução do vinho de uma forma menos agressiva do que as tampas de rosca. Esta é a característica que distingue a "Nanocork" das restantes rolhas tradicionais. Desenvolvida pela empresa Álvaro Coelho e Irmãos SA, a nova rolha conjuga a base de cortiça com um revestimento em fibra.

"Esta nova rolha não deixa evoluir o vinho porque não cede oxigénio nenhum ao vinho e não tem aromas reduzidos. É a grande vantagem. É uma rolha que não existia na área da cortiça porque a rolha de cortiça natural dá sempre alguma evolução ao vinho", explica Leal Ferreira, director técnico da empresa ligada à indústria corticeira.

Uma indústria que resiste à crise

A produção de cortiça é uma das actividades com maior relevância em Portugal e corresponde a um dos mais importantes produtos de exportação nacional. O próprio Ministro da Economia, Manuel Pinho, admite que hoje "a indústria corticeira não tem nada a ver com o que era há cinco ou dez anos". Para Leal Ferreira, o factor que ajuda a indústria a "fugir" à crise é "o facto da cortiça ser um produto que se utiliza em todo o mundo, todos os países fazem vinho e, portanto, é um mercado muito vasto", explica. O objectivo é evitar os problemas adjacentes às cápsulas metálicas, cada vez mais utilizadas no mercado. Para Leal Ferreira, "as tampas metálicas vieram ocupar um lugar para o qual a rolha não estava muito preparada" e, uma vez que "tem havido um aumento muito grande do consumo dessas cápsulas, estão a aparecer muitos problemas e a cortiça não tinha uma resposta de um produto". Até agora. "Este produto foi desenvolvido para, dentro de um preço competitivo, pode manter o vinho e melhorá-lo", justifica o director técnico.

Numa indústria vinícola "muito tradicional", Leal Ferreira acredita que, "para se colocar no mercado um produto destes, é preciso experimentá-lo". Por isso, só à medida que os clientes forem experimentando as garrafas com as novas rolhas, é que se "vai provar" se este é um produto de sucesso.

Antes da divulgação, a "Nanocork" passou por uma fase de testes, que decorreu ao longo de dois anos. "Decidimos fazer um ensaio destas rolhas juntamente com as rolhas naturais sem qualquer película redutora e também com as rolhas sintéticas e roscas metálicas. Os testes começaram em Maio de 2007. Até agora os resultados desta rolha são manifestamente superiores", revela Leal Ferreira.

Do ponto de vista químico, os estudos mostraram que a "Nanocork" é muito semelhante à rolha natural. Contudo, o vinho fica menos evoluído, os aromas mantêm-se frescos e sem aromas reduzidos. O estudo vai estar disponível no site da "Nanocork".

Sábado, Maio 02, 2009

Sete mil lutam pelas denominações de origem

Petição junta EUA e Europa na protecção do nome local dos vinhos

Os EUA, que a Europa tanto criticou por usurpar nomes locais dos vinhos, como o do Porto, estão agora unidos aos europeus na defesa das denominações de origem, através de uma petição já com sete mil assinaturas.

Está disponível na Internet uma petição destinada a proteger o local e origem do vinho, para evitar o uso indevido das denominações associadas a um espaço geográfico em vinhos que nada têm a ver as origens exibidas nos rótulos (www.protectplace.com).

Doze regiões - seis europeias (uma portuguesa), cinco norte-americanas e uma australiana - uniram-se e desafiam a população em geral a subscrever e a defender as originalidades locais dos seus vinhos. A ambição é chegar às 10 mil assinaturas.

No caso de Portugal, o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) aliou-se à campanha, tal como fez a região francesa de Champagne, a espanhola de Jerez ou a italiana de Chianti.

Novidade são as regiões norte-americanas, como a de Napa Valley, que "começa a sentir os efeitos de utilizações abusivas do seu nome geográfico", explicou ao JN Luciano Vilhena Pereira, presidente do IVDP.

Um "California Port" ou um "California Champagne" arrepia qualquer europeu, mas é um recurso legal nos EUA, apesar de induzir em erro o consumidor, "levando-o a comprar um produto que não é original, contribuindo para a sua confusão e degradação, ou diluição da imagem de marca colectiva em causa", explica Vilhena Pereira.

Com a actual petição, os seus promotores querem que os consumidores norte-americanos tenham acesso a uma informação fidedigna nos rótulos dos seus vinhos e sensibilizá-los para a "veracidade" dos nomes que estão nos rótulo, bem como alertar o legislador americano para o problema, até que os nomes dos vinhos europeus sejam, um dia, usados apenas em vinhos provenientes das respectivas regiões europeias.

O conceito de denominação de origem é europeu e demorou três séculos a ser construído. Em Portugal, há 29 denominações. Vinho do Porto, por exemplo, só o é aquele que é produzido na Região Demarcada do Douro e que tenha as características determinadas pelo IVDP, atestadas com um selo de garantia.

Sexta-feira, Abril 17, 2009

Dez anos da famosa safra brasileira de 1999

Há exatos dez anos, os viticultores da Serra Gaúcha tinham uma safra histórica. Choveu menos do que o usual no período crítico de maturação das parreiras, entre dezembro e março, e a vindima de 1999 foi realmente boa, sobretudo para as uvas finas de amadurecimento precoce (Chardonnay, Gewurztraminer e Pinot Noir) e tardio (Cabernet Sauvignon e Moscato Branco). Para as variedades de maturação intermediária, como Merlot e Riesling Itálico, colhidas entre a segunda quinzena de janeiro e meados de fevereiro, o tempo não se manteve tão quente e ensolarado, e o resultado foi menos exuberante, embora não tenha sido ruim. Conforme resumiu num comunicado técnico o pesquisador Francisco Mandelli, da Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves (RS), "de um modo geral, o fenômeno La Niña, que causou prejuízos a outras culturas no Rio Grande do Sul, favoreceu a qualidade e a sanidade da uva da safra de 1999". Em todo o estado, foram colhidas quase 59 mil toneladas de uvas viníferas, cerca de 20% a mais do que no ano anterior.

Mas não foi apenas devido a fatores meteorológicos favoráveis que essa colheita pode ser apontada hoje como um divisor de águas, um marco, na história do vinho brasileiro. Afinal, do ponto de vista estritamente climatológico, a vindima de 1991 foi até superior à de 1999. Só que no final da década passada o cenário interno reunia uma série de condições mais animadoras do que oito anos antes: surgia ou começava a se firmar no mercado uma nova geração de produtores nacionais comprometida com a busca da qualidade, dotados de modernas instalações para elaborar vinhos e sobretudo dispostos a investir num melhor manejo dos vinhedos; a (amalucada) abertura das importações, promovida pelo governo Fernando Collor de Mello no início dos anos 1990, fez o consumidor se interessar por vinhos em geral, inclusive o nacional, que teve de melhorar em razão da concorrência estrangeira; os meios de comunicação e formadores de opinião começaram a valorizar os fermentados de uva em suas reportagens e discussões.

Ou seja, havia um novo contexto cultural e econômico que deu à boa safra de 1999 uma visibilidade provavelmente sem precedentes, tirando da sombra o movimento até então silencioso de renovação e modernização que a vitivinicultura nacional vinha ensaiando já há alguns anos. "Desde os anos 1970, temos relatos de algumas boas safras na região, mas que não se tornaram tão conhecidas porque não havia toda essa badalação", comenta o pesquisador Celito Guerra, também da Embrapa Uva e Vinho. Para o enólogo Luís Henrique Zanini, da Vallontano, vinícola do Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, que elaborou os primeiros vinhos da empresa apenas na safra seguinte (no ano 2000), os tintos da colheita 1999 foram os primeiros rótulos nacionais a realmente vencer a desconfiança das pessoas com os produtos elaborados no Brasil. "Além disso, nessa época os próprios enólogos, que no início dos anos 1990 deram muita ênfase a aspectos técnicos da profissão e na aquisição de tecnologia para as vinícolas, passaram a trabalhar com mais cuidado a uva nos vinhedos", afirma Zanini.

A história recente de algumas vinícolas bem-sucedidas da Serra Gaúcha ilustra algumas das mudanças ocorridas no setor desde a famosa safra de 1999, como publicarei a seguir.
Esta matéria foi originalmente publicada na edição de abril de 2009 da revista Bon Vivant e em 19/04/2009 no jornaldovinho.